Poluição na Baía de Guanabara

5 de agosto de 2016
Poluição na Baía de Guanabara

Rio, você foi feito para mim. Cristo Redentor de abraços abertos para Guanabara. Rio, eu gosto de você.

A cena ícone da cidade maravilhosa, a Baía da Guanabara, é linda, porém suja. Triste realidade. De longe um cenário composto pelo Pão de Açúcar, Morro da Urca, Mata Atlântica, ilhas e praias de tirar o fôlego. De perto: saco plásticos, garrafas, muito esgoto e muito mais poluição.

Todos os dias desaguam na Baía de Guanabara os dejetos domésticos de cerca de 8 milhões de habitantes, resíduos de muitas indústrias e refinarias de petróleo, que colaboram em deixar a qualidade do mar a ver navios. Mesmo com uma situação alarmante, a Baía da Guanabara será palco de competições de esportes aquáticos. Análises comprovaram que foram encontrados níveis perigosos de vírus e bactérias de esgoto humano o que pode proporcionar febre, vômito e diarreia em quem tem contato direto com a água.

É comum que no Brasil o esgoto percorra afluentes, riachos e rios, desaguando, por fim, com toneladas de lixos, nos mares. O problema de saneamento básico é endêmico, fazendo com que as promessas de recuperação das águas até agosto fossem feitas com o famoso jeitinho brasileiro e milhões desviados para bolsos gananciosos.

São 22 anos de tentativas frustradas da despoluição da Bacia do Rio de Janeiro, com um enredo enraizado em falta de planejamento e promessas equivocadas das agendas políticas desde o Eco 92.

As praias estão desertas, pois as ondas chegam à areia com uma lama apodrecida e um cheiro nada agradável. Além das praias, outro cartão-postal frequente nas novelas do Manoel Carlos, a Lagoa Rodrigo de Freitas, apresenta peixes mortos e em decomposição. Mesmo passando por obras de despoluição, ela ainda está longe de ser considerada segura para as competições de remo e canoagem.

Os impactos ambientais da poluição

O impacto ambiental causado pela poluição é um assunto que envolve todos os moradores do Rio de Janeiro e do Brasil. É um problema que vem se arrastando ano após ano, e tem seu pé calcado no processo de urbanização desenfreada, na má implementação de desenvolvimento público, além de problemas de gestão política que não cumprem as promessas eleitorais, principalmente as voltadas para a restauração ambiental.

A comunidade internacional aponta os erros na falta de transparência na hora de contabilizar e levar a público os gastos empregados nas obras em parceria com o setor privado. Um exemplo disso foi o desastre de Mariana, em Minas Gerais, que aos poucos é enterrada juntamente com a lama tóxica no imaginário brasileiro.

Ao longo do trajeto do Rio Doce, muita destruição e tristeza causadas pela transformação de um ambiente rico e bonito, num mar de lama, causados pela empresa
mineradora Samarco. Terra infértil, contaminação de várias espécies e pobreza da população que tirava seu sustento do rio.

A promessa de tratar 80% do esgoto lançado na Baía da Guanabara virou lenda, será enterrada pela lama tóxica e esquecida como o pano de confetes do carnaval. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) irá mostrar que o legado ambiental da competição realizada na cidade será praticamente nulo.

Contudo, mesmo com um 7 x 1 diferente todos os dias, torcemos para que atletas, participantes e espectadores caminhem com seu ideal: paz e união entre os povos. Rio, eu gosto de você.