Urbanismo, agricultura e água

A agricultura e a urbanização sempre andaram de mãos dadas desde os primórdios da civilização. Com a descoberta do manejo da agricultura, como o trigo, não foi mais necessário que o homem vivesse nômade, ele poderia se fixar em comunidades. Uma coisa é certa disso, a comida moldou o processo urbano e o mundo em que vivemos é feito daquilo que comemos.

O homem é totalmente dependente do mundo natural para sobreviver, embora viva em cenários concretados e cinzas. Quanto mais pessoas mudam para os centros urbanos, mais o mundo natural vai se transformando em grandes plantações, muitas vezes, voltadas para a exploração comercial. Só que há um problema, cada vez mais, esses espaços não servem para alimentar o homem e sim a sua criação. Um terço da produção de grãos da Terra é destinada para alimentação do gado.

Com a urbanização, o cardápio também se alterou, foi observado um aumento do consumo de carnes. Porém, até em 2050 a quantidade de pessoas será o dobro da atual, isso também se reverte na quantidade de carne e laticínios que serão consumidos. O consumo de carne e o urbanismo são companheiros bem íntimas nesse processo: haverá 6 bilhões de bocas para serem alimentadas em 2050 e isso é um grande problema.

Na saga para suprir a fome da população urbana, milhares de hectares são destruídos por ano. A busca pelo espaço para as plantações também esboça um grande problema ecológico, como erosão, terras inférteis e salinização. Com tantos gastos para se produzir alimentos, são jogadas na lata de lixo metade da comida produzida. Forma-se um cenário dicotômico: milhões de obesos e milhões de famintos na luta pela sobrevivência.

O homem primitivo se organizava a partir das colheitas, das estações, posições lunares, ciclos. O apetite moldou a ascensão e a queda de reinados. As cidades foram construídas por base dos hábitos alimentares da população: de cidades orgânicas passaram para cidades processadas, e isso afastou o homem de ter uma relação com a natureza.

A resposta para mudar o cenário atual é devolver aos centros urbanos a agricultura como centro da atuação da vida social do homem. Dentro das cidades há espaços que cultivam os alimentos, como pequenas bolhas. O ideal é unir todas as pequenas bolhas para fortalecer a alimentação orgânica. Transformar os espaços metropolitanos em ambientes produtivos, conectar novamente o homem com a natureza. Fazer com que a comida reestruture a relação entre homem e ambiente de uma forma mais sadia e responsável é o desafio para a nova era. Se a cidade cuida do campo, o campo cuida da cidade.

E a água?

O problema da urbanização, também esbarra em como o campo utiliza da água para o desenvolvimento. Com a crescente demanda de exportação de commodities, o Brasil precisaria de mais subsídios para investimento no campo, algo que não aconteceu. Para responder à demanda, estruturas conservadoras de plantio são utilizadas, o que correspondem a mais gastos e desperdícios de água.

Indo mais a fundo para dentro das cidades, o espaço urbano desperdiça quantidades assustadoras de água. São indústrias e áreas mais ricas responsável pelo consumo não pensado, no que revela uma conta alta para as regiões mais pobres, por consequência. A cidade cresce sem planejamento, expulsando os moradores para beira de rios e mananciais, piorando a captação de água em quantidade e qualidade.

Novamente para repensar o espaço urbano é necessário viabilizar novas formas de urbanização que consigam equilibrar a agricultura, exploração de água e consumo.

Referência:
Agricultura Urbana como Ferramenta de Desenvolvimento Urbano

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