Águas da nossa infância, o que te lembra?

9 de novembro de 2012

Águas….

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.
José Saramago

Sobre as águas da memória flutuam nossos pensamentos que ora nadam incontroláveis em busca daquilo que somos, ora nos levam em suas ondas para as boas lembranças, ou então nos deixam mergulhar em busca da felicidade.
Nas águas que marcam a infância e deixam que leve para um lado e para o outro nossos melhores momentos, está o primeiro mergulho na água gelada da piscina que faz com que nosso corpo se trema todo em euforia e vontade de que o outro venha nos fazer companhia no frio que logo passará.
Quantas brincadeiras não ficam marcadas na memória das águas de nossa infância? Prender a respiração por mais tempo que nossos amigos, dar a barrigada mais doída na água, o salto mais incrível na piscina, passar por baixo de pernas, brincar de caça aos objetos afundados na piscina, fingir ser sereia, competir para ver quem chega primeiro do outro lado da piscina, ver quem é o mais rápido.
As águas que passam e as águas onde passamos nossa infância: o encanto que nos envolve e a magia que substitui o contato com o ar, pelo contato com a água é um dos momentos mais incríveis que marcam uma infância.